Plasticidade e aprendizagem
A função vicariante é um bom exemplo da enorme plasticidade do cérebro humano, isto é, da sua enorme capacidade de reorganizar as redes neuronais ao longo do tempo em função das necessidades e dos estímulos do ambiente que nos rodeia.
Desde os anos 40 do século passado que especialistas como o canadiano Donald Hebb e o polaco Jersey Konorski têm vindo a defender que a aprendizagem e a memória se repercutiam em alterações nos neurónios envolvidos nessas tarefas cognitivas. Posteriormente, diversas pesquisas científicas acabaram por demonstrar que, de facto, o exercício provoca modificações nas células nervosas, o que leva a supor a possibilidade de, através de novas aprendizagens, ampliar a massa encefálica envolvida nesses processos.
Psicologia em Ação, Domingos Faria, Luís Veríssimo e outros, Editora Asa. (Manual adotado)
domingo, 16 de outubro de 2016
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O cérebro,
TEMA 1 - ANTES DE MIM
sábado, 8 de outubro de 2016
O Papel das áreas pré - frontais
TONY TASSET, Olho Gigante, Chicago, EUA
O Papel das áreas pré-frontais
"A área pré-frontal ou córtex -frontal, situa-se na secção anterior do lobo frontal. Trata-se de uma estrutura recente do ponto de vista evolutivo.
É do correto funcionamento desta área que dependem o pensamento abstrato, a imaginação, a consciência reflexiva, a capacidade de tomar decisões e prever as suas consequências, de construir e utilizar sistemas simbólicos, designadamente a linguagem e outros códigos facilitadores da comunicação.
Cabe-lhe ainda o papel de conservar a nossa identidade, permitindo-nos uma constância em termos de personalidade, bem como a possibilidade de organizar e fazer funcionar as instituições, elaborar leis, estabelecer formas equilibradas de relacionamento entre pessoas e grupos, compreender e interiorizar padrões éticos, essenciais para o controlo dos comportamentos necessários à vida em sociedade.
Todo o progresso e conforto material e espiritual da humanidade se deve à intervenção desta área. É graças à sua atividade que os seres humanos se têm dedicado à especulação abstrata e, consequentemente, têm podido dar corpo a obras-primas a nível da literatura e da arte e fazer assombrosas descobertas a nível da ciência e da técnica.
Apesar disso, não podemos deixar de constatar que este extraordinário potencial também tem possibilitado algumas das maiores atrocidades da história da humanidade, como por exemplo, o genocídio, a guerra, a escravatura, a tortura e a morte de inocentes."
Psicologia em Ação - 12º Ano, Luís Veríssimo, Domingos Faria e outros
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
O CASO DOS GÉMEOS SUSPEITOS DE CRIME
Dois gémeos idênticos são
suspeitos de vários crimes de violação em Marselha (França). Mas, como têm o
ADN igual, nem os testes os distinguem. Qual será o culpado? Serão os dois
culpados? É um dos maiores quebra-cabeças com que a Justiça alguma vez se
deparou. (…)
O caso é o seguinte: entre
setembro de 2012 e janeiro deste ano, houve seis violações num bairro daquela
cidade. O culpado está identificado e preso. O culpado? Não, os culpados,
embora tenha sido só um a praticar os crimes. Ou terão sido os dois?
(…) O problema é que os crimes aconteceram
efetivamente e os principais suspeitos são dois irmãos gémeos idênticos de 24
anos, identificados apenas como Elwin e Yohan. Os indícios colhidos no corpo
das vítimas – sémen do criminoso, cabelos, sangue – atestam a identidade do
violador. Mas, mesmo tendo ambos sido presos em fevereiro, o problema
mantém-se: a qual deles pertence estes indícios? A solução parece óbvia:
façam-se os infalíveis testes de ADN. O problema é que os gémeos monozigóticos
(ou idênticos) partilham o ADN em 100%. Ou seja, eles são iguais até a um nível
microscópio.
O verdadeiro culpado (ou
culpados, caso tenham sido os dois os autores dos crimes, o que também é
possível) só poderá ser descoberto por testes genéticos mais afinados. A
polícia francesa avança que os testes clássicos aplicados à ciência forense
seriam insuficientes e uma verificação mais exaustiva pode custar um milhão de
euros, avança a BBC em linha a propósito do caso.
Alguns peritos, entretanto,
chegaram-se à frente. Um dos grupos, citados pela revista especializada Popular Science, recorda um caso
semelhante ocorrido no Michigan (EUA) em, 2004. Na altura, a polícia teve de
recorrer a um laboratório ultraespecializado para poder detetar mutações
genéticas que distinguissem este par de gémeos. Mas não conseguiram e não houve
condenações. (…)
De qualquer modo, outros
especialistas indicam que estudos que analisassem algumas marcas químicas do
ADN poderiam ir mais longe, tendo em conta que os gémeos são expostos a
diferentes condições do meio logo após o nascimento. Mas este método teria de
ser combinado com uma sequencialização completa do genoma de Elwin e Yohan, o
que custaria, não o milhão de euros estimados, mas alguns milhares. O problema
ia dar sempre ao mesmo beco sem saída: não haveria garantias, no fim, de
conseguir distinguir os gémeos um do outro. Mais uma vez, não haveria a certeza
de se “acertar no alvo”, pois ninguém sabe ao certo, á partida, quais são os
tecidos onde se podem encontrar as mutações. E \um estudo aprofundado exigiria
que se analisasse um grande número de tecidos nos dois suspeitos.
Sem certezas na metodologia
a aplicar, estes testes ainda não oferecem a segurança necessária para poderem
ser usados em tribunal. Outro caso, este sem a gravidade de um ataque sexual,
foi um assalto levado a cabo por um dos elementos de gémeos em Berlim (Alemanha)
em 2009. Os testes de ADN levaram, mais uma vez, ao clássico beco sem saída.
Eles não se distinguem. O desfecho foi o mesmo do caso norte-americano de 2004,
não houve condenações, na dúvida de se levar à cadeia o gémeo inocente. No fim,
como sempre, quem riu por último riu melhor. Um dos irmãos declarou, jocoso: “Estamos
orgulhosos do sistema legal alemão”.
NABAIS,
R.,
“ADN: o que fazer perante gémeos suspeitos de crime?”
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
RAÇA E RACISMO
Diga-se, as
diferenças físicas entre as pessoas são evidentes: qualquer indivíduo está
marcado pela sua origem. Mas a prática racista começa quando se fixam as
diferenças a etnotipos: toma-se a noção de raça como um dado adquirido (que
acabámos de contestar), e associam-se características físicas a um modo de
comportamento, a qualidades morais ou a capacidades intelectuais que seriam
específicas de uma população (o absurdo que queremos demonstrar).
O slogan do
racismo? “No rosto está estampado o interior.”
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
O HOMEM QUE CAIU DA CAMA
Há muito tempo, ainda eu não tinha acabado o curso,
uma enfermeira telefonou-me e falou-me de um caso estranho: um jovem tinha dado
entrada no hospital naquela manhã. Parecia simpático, normal, e assim esteve
todo o dia até há poucos minutos ao acordar. Nessa altura parecia estranho e
excitado, nem parecia o mesmo. Tinha caído da cama e estava sentado no chão a
vociferar, recusando-se a voltar para a cama. A enfermeira pediu-me para ir até
lá e tentar resolver o problema.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
HEREDITARIEDADE E MEIO
Imaginemos, no que respeita à inteligência,
que o genótipo de uma criança indica a predisposição para ter uma inteligência
média.
Suponhamos que alguns cenários possíveis de
desenvolvimento da criança. Comecemos por supor que cresce e é educada num meio
económica e culturalmente pobre e intelectualmente muito pouco estimulante: os
pais ignoram a criança e o meio é muito carenciado quanto a livros e outros
instrumentos de aprendizagem. A criança, dadas as limitações do seu meio, provavelmente
desenvolverá uma inteligência abaixo da média.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
DARWIN – EVOLUÇÃO E SELEÇÃO NATURAL
Até Darwin, a teoria aceite
para explicar a diversidade dos organismos vivos era a da criação especial
divina, isto é, a ideia de que Deus tinha criado os seres vivos tal como
existem atualmente. No entanto, as descobertas geológicas e biológicas da época
foram dando origem ao sentimento de que esta teoria era insatisfatória e, mesmo
antes de Darwin, houve quem defendesse que as espécies não são fixas, evoluem.
Um dos primeiros a defender a evolução das espécies foi o próprio avô de
Darwin, Erasmus Darwin (1731-1802). Este pensava que as espécies atualmente
existentes nem sempre tinham existido e que outras existentes no passado tinham
entretanto deixado de existir e, para explicar a mudança, propôs uma teoria
idêntica à proposta mais ou menos na mesma altura por Jean-Baptiste de Lamarck
(1744-1829) e que ficou conhecida por lamarckismo. De acordo com essa teoria,
os seres vivos adquirem durante a vida certas características que transmitem
depois aos descendentes. O lamarckismo nunca foi suficientemente convincente
para ter aceitação geral e, no tempo de Darwin, a maior parte dos biólogos,
geólogos, etc., incluindo o próprio Darwin, pensava que o criacionismo era verdadeiro.
O primeiro acontecimento a contribuir para que tudo isto mudasse foi a viagem
que Darwin realizou, em 1831, a bordo do navio HMS Beagle. O Beagle tinha por missão
estudar a costa sul-americana. Darwin foi convidado a participar na viagem na
qualidade de naturalista de bordo e, nos cinco anos que durou a expedição, teve
a oportunidade de estudar atentamente espécies e habitats completamente
desconhecidos na Europa. De tudo o que viu, nada intrigou mais Darwin do que os
animais das Ilhas Galápagos – um conjunto de ilhas ao largo da costa
sul-americana com uma fauna muito diferente da fauna desse continente e
suficientemente afastadas umas das outras para que as espécies de uma ilha
pudessem comunicar com as de outra ilha. Os tentilhões, em particular, chamaram
a atenção de Darwin. Estas aves diferem de ilha para ilha, perfeitamente adaptadas
ao habitat de cada uma delas, com, por exemplo, bicos diferentes consoante o
alimento dominante fosse sementes, frutos ou insetos. Para Darwin, a única explicação
plausível para este fenómeno passava por admitir que os animais evoluíam de
modo a adaptar-se às condições do seu habitat.
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FILOGÉNESE,
TEMA 1 - ANTES DE MIM
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
O CASO ELLIOT
António Damásio,
diretor do departamento de neurobiologia da universidade de Iowa, estudou de
modo detalhado o caso de um paciente, Elliot. Sofrendo de um tumor cerebral,
este foi operado com sucesso e o prognóstico revelava-se excelente. Contudo,
assim não veio a acontecer: depois da operação, o paciente começou a evidenciar
perturbações da personalidade que acabaram por o fazer perder o emprego e
arruinaram a sua vida privada. Embora não manifestando, aparentemente, sofrer
de algum sintoma, Elliot parecia ter-se tornado incapaz de agir de forma
coerente. Encarregado de ler e de classificar uma série de documentos,
acontecia-lhe, subitamente, mergulhar na leitura de um só desses documentos e
passar assim todo o dia.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
O DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA NA CRIANÇA
Em determinado ponto, o pensamento atinge um
estado de equilíbrio que, simultaneamente móvel e permanente, é de tal forma
que a estrutura das totalidades operatórias se conserva quando estas assimilam
elementos novos. Em termos psicológicos, explicar a inteligência consiste em
descrever-lhe o desenvolvimento mostrando de que maneira este termina
necessariamente no equilíbrio atrás referido. Deste ponto de vista, o trabalho
da psicologia é comparável ao da embriologia, labor inicialmente descritivo e
que consiste em analisar as fases e os períodos da morfogénese até ao
equilíbrio final, constituído pela morfologia adulta, mas pesquisa que se torna
“causal” mal os fatores que asseguram a passagem de um estádio para o seguinte
são evidenciados. Portanto, a nossa tarefa é clara; trata-se de reconstruir a
génese ou as fases de formação da inteligência até conseguir explicar o nível
operatório final, de que acabámos de descrever as formas de equilíbrio. Em
menos palavras, a explicação da inteligência consiste em colocar as operações
superiores em continuidade com todo o desenvolvimento, sendo este concebido
como uma evolução dirigida por necessidades internas de equilíbrio. Ora, esta
continuidade funcional alia-se muito bem à distinção das estruturas sucessivas.
Como, já o vimos, de início, é possível representar uma hierarquia das
condutas, do reflexo e das perceções globais, como uma extensão progressiva das
distâncias e uma complicação gradual dos trajetos que caracterizam as trocas
entre o organismo (sujeito) e o meio (objetos), cada uma destas dilatações ou
complicações representa então uma nova estrutura, ao mesmo tempo que a sua
sucessão é submetida às necessidades de um equilíbrio que deve ser sempre mais
móvel, em função da complexidade. O equilíbrio operatório realizará essas
condições aquando do ponto máximo das distâncias possíveis (visto que a
inteligência procura abarcar o universo) e da complexidade dos trajetos (posto
que a dedução é capaz dos maiores “desvios”): este equilíbrio deve, por
conseguinte, ser concebido como o termo de uma evolução da qual ainda falta
descrever as etapas.
J. Piaget, La psychologie de l’intelligence, 1947
TAREFA:
Segundo Piaget como se processa o
desenvolvimento intelectual da criança? (Deixa a tua resposta na caixa dos
comentários.)
terça-feira, 9 de outubro de 2012
PRIMEIRA LIÇÃO – O CASO DE ANA O.
SENHORAS E SENHORES - Constitui para mim
sensação nova e embaraçosa apresentar-me como conferencista ante um auditório
de estudiosos do Novo Mundo. Considerando que devo esta honra tão-somente ao facto
de estar o meu nome ligado ao tema da psicanálise, será esse, por consequência,
o assunto de que lhes falarei, tentando proporcionar-lhes, o mais
sinteticamente possível, uma visão de conjunto da história inicial e do
ulterior desenvolvimento desse novo processo semiológico e terapêutico.
Se algum mérito existe em ter dado vida
à psicanálise, a mim não cabe, pois não
participei das suas origens. Era ainda estudante e ocupava-me com os meus
últimos exames, quando outro médico de Viena, o Dr. Joseph Breuer, empregou pela primeira vez esse método no
tratamento de uma jovem histérica (1880-1882). Ocupemo-nos, pois,
primeiramente, da história clínica e terapêutica desse caso, a qual se acha
minuciosamente descrita nos Studies on
Hysteria (Estudos Sobre a histeria) [1895d] que mais tarde publicamos, o
Dr. Breuer e eu.
Mas, preliminarmente, uma observação.
Vim a saber, aliás com satisfação, que a maioria dos meus ouvintes não pertence
à classe médica. Não cuidem, porém, que seja necessária uma especial cultura
médica para acompanhar a minha exposição. Caminharemos por algum tempo ao lado
dos médicos, mas logo deles nos apartaremos, para seguir, com o Dr. Breuer, uma
rota absolutamente original.
sábado, 29 de setembro de 2012
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