SENHORAS E SENHORES - Constitui para mim
sensação nova e embaraçosa apresentar-me como conferencista ante um auditório
de estudiosos do Novo Mundo. Considerando que devo esta honra tão-somente ao facto
de estar o meu nome ligado ao tema da psicanálise, será esse, por consequência,
o assunto de que lhes falarei, tentando proporcionar-lhes, o mais
sinteticamente possível, uma visão de conjunto da história inicial e do
ulterior desenvolvimento desse novo processo semiológico e terapêutico.
Se algum mérito existe em ter dado vida
à psicanálise, a mim não cabe, pois não
participei das suas origens. Era ainda estudante e ocupava-me com os meus
últimos exames, quando outro médico de Viena, o Dr. Joseph Breuer, empregou pela primeira vez esse método no
tratamento de uma jovem histérica (1880-1882). Ocupemo-nos, pois,
primeiramente, da história clínica e terapêutica desse caso, a qual se acha
minuciosamente descrita nos Studies on
Hysteria (Estudos Sobre a histeria) [1895d] que mais tarde publicamos, o
Dr. Breuer e eu.
Mas, preliminarmente, uma observação.
Vim a saber, aliás com satisfação, que a maioria dos meus ouvintes não pertence
à classe médica. Não cuidem, porém, que seja necessária uma especial cultura
médica para acompanhar a minha exposição. Caminharemos por algum tempo ao lado
dos médicos, mas logo deles nos apartaremos, para seguir, com o Dr. Breuer, uma
rota absolutamente original.