domingo, 23 de setembro de 2012

PSICOLOGIA CIENTÍFICA


PSICOLOGIA DO SENSO COMUM


HISTÓRIA DA PSICOLOGIA: O PARADOXO TEMPORAL


Começamos com um paradoxo, ou com uma contradição aparente, observando que a psicologia é uma das disciplinas académicas mais antigas e, ao mesmo tempo, uma das mais modernas. As pesquisas sobre a natureza do comportamento humano remontam ao séc. V a. C., quando os filósofos gregos, como Platão e Aristóteles, se empenhavam para resolver muitos dos problemas de interesse dos psicólogos até hoje. Desse modo, um ponto que pode servir de início ao estudo da história da psicologia localiza-se cerca de 2500 anos atrás, nos antigos textos filosóficos a respeito desses temas (tais como a perceção, a memória, a aprendizagem, a motivação e o pensamento) que mais tarde foram incluídos na disciplina formalmente conhecida como psicologia.

terça-feira, 21 de junho de 2011

MENTE E CONSCIÊNCIA

Olhamos para a consciência como coisa garantida porque é tão disponível, por ser tão simples de usar, tão elegante nos seus aparecimentos e desaparecimentos diários. No entanto, todas as pessoas, cientistas incluídos, ficam perplexas ao pensar em tal fenómeno. De que é feita a consciência? Parece-me que terá de ser a mente com algumas peculiaridades, visto que não podemos estar conscientes sem uma mente da qual podemos ter consciência. Mas de que é feita a mente? Virá do ar ou do corpo? As pessoas inteligentes dizem que vem do cérebro, que se encontra no cérebro, mas a resposta não é satisfatória. Como é que o cérebro faz a mente?
Especialmente misterioso é o facto de ninguém ver a mente dos outros, conscientes ou não. Podemos observar-lhes o corpo e o que fazem, dizem ou escrevem, e podemos opinar com algum conhecimento quanto àquilo em que estarão a pensar. No entanto, não podemos observar-lhes a mente e apenas nós próprios somos capazes de observar a nossa, a partir do interior, e através de uma janela bem estreita. As propriedades da mente, já para não falar da mente consciente, apresentam-se de uma forma tão díspar daquelas da matéria viva visível, que as pessoas atentas se interrogam sobre a forma como um processo – a mente consciente – se funde com os outros processos – as células vivas que se unem em aglomerados a que chamamos tecidos.
Claro que dizer que a mente consciente é misteriosa, que o é, não é o mesmo que dizer que o mistério é insolúvel. Não é o mesmo que dizer que nunca seremos capazes de entender como um organismo vivo dotado de cérebro desenvolve uma mente consciente ou declarar que a solução do problema se encontra fora do alcance do ser humano.

DAMÁSIO, António, O Livro da Consciência - A construção do cérebro, consciente, 2010. Lisboa: Temas e Debates / Círculo de Leitores, pp. 21-22

terça-feira, 24 de maio de 2011

"Depressão não é uma doença"

 "A depressão não é uma doença" e não existem medicamentos com uma acção antidepressiva. A afirmação controversa – no mínimo – pertence a Carlos Lopes Pires, psicólogo e membro da Unidade de Investigação e Intervenção em Psicologia (UNIIPSI). O clínico vai mais longe. No seu livro, subordinado à desmistificação de crenças ligadas à depressão, psicofármacos e seus efeitos, refere estudos científicos que estabelecem uma ligação directa entre o aumento do número de suicídios e a prescrição de antidepressivos.
Carlos Pires considera que "o antidepressivo dá a energia e a benzodiazepina [o chamado "ansiolítico"] dá a calma para cometer [o suicídio]", referindo-se aos "cocktails" farmacológicos tantas vezes prescritos.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Definição da agressividade na infância

A agressividade em psicopatologia define-se como:

a) “conduta intencionalmente dirigida a provocar lesão ou destruição de um objectivo (pessoa, animal ou objecto)”;
b) agressões físicas ou verbais contra os demais (ameaça, empurrões, dirigir-se aos demais com insultos ou gritos);
c) agressões contra objectos (quebrar ou atirar objectos ao chão, dar pontapés);
d) auto-agressão (bater com a cabeça, arranhar-se, fazer pequenos cortes em si mesmo).
Todas estas definições podem formar uma possível classificação de comportamento agressivo.
Actualmente e seguindo a classificação estatística dos transtornos mentais da academia americana de psiquiatria (DSM-IV, 2000), este comportamento não se considera por si mesmo uma entidade patológica, mas a parte de um conjunto de sintomas de numerosos transtornos tais como o transtorno anti-social, a esquizofrenia, o autismo, o atraso mental e o transtorno do défice de atenção e hiperactividade.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O nosso bisavô de Viena

 (…) Os 150 anos do nascimento do nosso bisavô de Viena, Sigmund Freud, médico psiquiatra, fundador da Psicanálise, deram origem a múltiplas celebrações e polémicas. A austera figura de Freud voltou – se alguma vez deixou de estar – ao centro de debates que transbordam dos circuitos de especialistas para chegarem ao "grande público". A questão da sexualidade, associada ao nome do pensador de Viena, faz do seu legado tema apelativo. Especialistas e leigos, amigos e inimigos defrontam-se, de novo, em palcos de discórdia, sobre a validade científica e a actualidade do contributo freudiano.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A integração da natureza (inato) e do cuidado (adquirido) - A proposta de Anne Anastasi

Anne Anastasi começa a sua discussão dizendo-nos que o modo como esta dicotomia, a dicotomia entre natureza/cuidado, inato/adquirido se manteve, e mantém, presente em muitos debates e teorias psicológicas se deve em parte às questões que têm sido colocadas pelos autores e investigadores. É frequente, e foi mais frequente ainda no passado, encontrar autores que, buscando respostas para a compreensão e explicação do comportamento humano, recorriam à pergunta “qual?”, orientavam a sua pesquisa de forma a tentarem saber qual dos dois pólos explicava e iluminava a compreensão do comportamento humano. Ao perguntarem "qual?" tais autores encontravam-se imediatamente a assumir os dois pólos como independentes, a assumir que era ou um ou outro o que influenciava o comportamento num ou noutro sentido, que o modo como os indivíduos são ou se comportam se deve a efeitos ou da natureza/inato ou do cuidado/adquirido. Por exemplo, quando se procura explicar o resultado num teste de inteligência, ou de um teste de aptidões, interpretando-os a partir dos resultados obtidos pelos pais ou irmãos (interpretando-o como sendo determinado pela herança genética), ou se procura explicá-lo apenas pela idade (e a maturação do indivíduo); mas também quando se procura explicar o comportamento mais ou menos agressivo de alguém com apenas no facto de viver numa zona onde a violência faz mais ou menos parte do quotidiano, ou no facto de considerar que em algumas situações a agressão é uma resposta legítima, ou por ter visto demasiados filmes e desenhos animados violentos na televisão...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A ADOLESCÊNCIA

A adolescência é uma época da vida humana marcada por profundas transformações fisiológicas, psicológicas, pulsionais, afectivas, intelectuais e sociais vivenciadas num determinado contexto cultural.
Mais do que uma fase, a adolescência é um processo com características próprias, dinâmico, de passagem entre a infância e a idade adulta.

“Nós rejeitamos a ideia comum de que a adolescência é exclusivamente uma preparação para a vida adulta… os adolescentes são pessoas com qualidades e características específicas, que têm um papel interventivo e responsável a desempenhar, tarefas a realizar e capacidades a desenvolver, num momento particular da vida”.
Konopka, G., citada por Sprinthall e Collins, op. cit., p. 93

quinta-feira, 24 de março de 2011

A sexualidade humana

Entrevista com Jean Didier Vincent, professor no Instituto Universitário de França e director do Instituto Alfred Fessard. É autor dos livros La Biologie des Passions e La Chair et le Diable (Ed. Odile Jacob, 1994).
“Em que é que a sexualidade humana diverge da sexualidade animal?