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sexta-feira, 11 de março de 2011

My Fair Lady

      My Fair Lady é um sublime e irresistível clássico de George Cukor, inspirado na peça Pygmalion de George Bernard Shaw.
     Este belo musical representa a transformação de uma vulgar vendedora de flores, Eliza Doolitle, numa verdadeira duquesa da sociedade londrina, através dos ensinamentos do Professor Higgins. Este processo concretiza-se, num permanente espelho de expectativas e auto-realização de profecias, enfatizando a importância dos estímulos motivacionais, da valorização e enaltecimento das qualidades e competências, para se atingir desenvolvimento e desempenho até a um progressivo estádio de perfeição.   
    

quinta-feira, 10 de março de 2011

CRASH

   As transformações ocorridas na sociedade, ao longo dos últimos anos, demonstram que o mundo se tem tornado pequeno para as relações humanas. Actualmente, já «conhecemos» todos os cantos do planeta, sem sair da nossa própria casa, pois com o desenvolvimento das técnicas de informação e comunicação ir de uma ponta à outra do globo não é coisa impossível.
   O filme «Crash» também nos remete para os paradigmas da globalização, do multiculturalismo, assim como para as noções de identidade e direito e para alguns temas polémicos do nosso próprio quotidiano, nomeadamente o racismo, a xenofobia, o confronto entre várias culturas e religiões… A globalização, a aculturação intensifica o encontro entre diferentes culturas e faz emergir estes grandes problemas que continuam a afectar a nossa sociedade actual sendo, por vezes, motivo de grandes conflitos e/ou guerras.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

KRAMER VS. KRAMER

Este drama norte-americano de Robert Benton, inspirado no romance de Avery Corman, reflecte de uma forma tocante e magistral a dor da separação, desenha conflituosas relações familiares, focando essencialmente ligações profundas entre pai e filho.   
    Na cena inicial, emerge Ted Kramer, descontraído mas completamente absorvido pelo seu mundo publicitário de trabalho, dirigindo-se para casa. Este é surpreendido, quando Joanne Kramer, sua esposa, anuncia serenamente, que o vai abandonar, juntamente com o filho, Billy de seis anos. A opção de Joanne denuncia a sua infelicidade com a relação predominante entre ela e Ted, ansiando descobrir os seus próprios interesses e uma posição no mundo. Subentende-se que esta relação primava pelo distanciamento emocional, afectivo, reduzida preocupação e disponibilidade no que toca à esfera familiar, por parte do seu marido, bem como a sua incapacidade de lidar com os sentimentos de Joanne.
   

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

The Gods Must Be Crazy

        Esta comédia excepcional reproduz uma intersecção problemática de culturas absolutamente distintas nos seus hábitos, comportamentos, práticas, crenças e valores. Parece que o filme desenha uma colisão cultural, registando-se simultaneamente a aprendizagem e absorção de novos costumes e elementos culturais.  
A cultura específica assume-me como rainha, pelo que é a sua influência, vasta e poderosa que guia e orienta as diversas condutas do ser humano, nas mais variadas situações, assim como, no modo, como cada um vislumbra e interpreta o mundo que o envolve, atribuindo-lhe significados peculiares mediante as suas convicções, perspectivas, esquemas cognitivos perfilhados pela realidade cultural.
O filme desenha um autêntico mundo de relatividade cultural, onde cada cultura marcada por modelos padronizados de comportamento e o seu sentido deve ser compreendida à luz de um determinado enquadramento geográfico e temporal.
       

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"RAIN MAN"

Este filme prima por uma densa vertente psicológica, espelhando de uma forma brilhante a complexidade do funcionamento das estruturas do cérebro humano, dos processos cognitivos e a sua consequente relação e influência nos diversos comportamentos e acções.
Vislumbramos uma peculiar e enigmática história que une dois irmãos, pelas circunstâncias dramáticas operadas, através da morte repentina do pai e pelas posteriores questões de herança, que em vez de se concentrarem em Charlie, são materializadas em Raymond, o seu irmão mais velho, absolutamente desconhecido para Charlie e que se encontra numa instituição psiquiátrica.
Charlie (Tom Cruise) distingue-se, não apenas pelo seu físico, mas essencialmente, pela sua dimensão profissional, intelectual e um cariz egocêntrico e ambicioso. Em contraste, Raymond (Dustin Hoffman) não é um indivíduo com padrões normais, particularmente no plano cognitivo e social. Ele evidencia Síndrome de Savant, ou seja, é um autista sábio.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Clonagem & “O que virá de bom e pior” – Análise do Filme “Godsend”

O mundo do qual emerge as formas biológicas mais complexas, até agora somente e unicamente conhecidas, é o próprio “canto” em que nós habitamos. Esse tal canto, mais do que porção de terra e água, esconde e suporta aquilo que hoje são dos maiores segredos e incógnitas que a humanidade questiona. A divisão entre o que é correcto e consequentemente que é beneficiável e o que não é correcto, logo sendo assim prejudicial, está a começar a ser plantada e estruturada.
O barco que transporta aquilo que é o berço da nossa origem e o que é hoje o que nós somos, revela mesmo à nossa frente a imagem de uma questão ética sem igual. Algo de certo modo invisível, mas indubitavelmente sustentador de uma moeda de duas faces para o futuro imediato.
Tudo começou há cerca de 3,4 milhões de anos, quando ainda o planeta, imaturamente, ainda se encontrava numa fase de crescimento e de diferenciação. A chuva enegrecida era a rotina de cada dia, pelo que água e somente água formava aquilo a que hoje chamamos Terra. Os oceanos formaram-se, e, nas profundezas de estes mesmos desencadearam-se as primeiras reacções químicas que viriam a formar as primeiras formas de vida, as cianobactérias. Estes simples microrganismos de alguma forma, algo de intrinsecamente genético os percutiu, que através de algum processo teriam que continuar a dar azo à vida que se tinha instaurado. Desta forma surgiu um processo, no qual os gastos de energia eram mínimos em relação ao meio a que se apresentavam. A rapidez também pesou na questão…Tinha-se que assegurar a vida! E BUM… Um produto genuíno, um ser igual ao seu progenitor, tanto a nível físico, como genético… Assim nasceu um clone, assim de certo algo modo nasceu a clonagem reprodutiva…
Tal processo chega-nos até aos dias de hoje, tal como aconteceu há milhares e milhares de anos. A maior parte dos seres vivos como espécies, e principalmente as bactérias, presentearam a sua história evolutiva com base na clonagem… Resultado notório…Calcula-se que milhões e milhões de espécies de bactérias ainda estão por descobrir no seu ser…
Sendo tal questão milenar, qual o porquê de tanto alarido em torno da mesma?
O homem conseguiu transpor as barreiras biológicas. Em 1996, o primeiro mamífero foi clonado: Ian Wilmut e a sua equipa conseguiram “trazer” ao mundo a ovelha Dolly.
A transposição do processo em nada deve ser difícil para a forma de vida “racional”. A tentação de abrir a caixa de Pandora é grande. Que perigos ou benefícios esconderá?
O cerne da questão baseia-se de todo numa experiência mental que nós próprios teremos que ter capacidade de a construir. Tal como o filme, “Godsend” nos leva a outro mundo subconsciente onde este método é dado como possível…
Imagine-se então uma sociedade futurista… Uma civilização em que os casais têm o livre direito de optar pelo processo de clonagem reprodutiva, quer por opção, quer por motivos alheios. Infelizmente nesta concepção, nesta sociedade imaginada, os casais sofrem de uma grande taxa de infertilidade muitos perderam os seus filhos quando ainda eram pequenos. Igualmente, animais que outrora eram dados como extintos, têm a possibilidade de voltar á vida…
Sem dúvida alguma que aqueles casais que por motivos de infertilidade puderam obter um filho genética e fisicamente igual a um deles ou a outro indivíduo, trouxe um bem próprio e de certa forma geral. Um sonho tornado realidade, o filho tão querido, surge à vida. Genericamente se fossemos protectores da ideia de que o que interessa no bem da humanidade é o bem-estar das pessoas, sem dúvidas teríamos que dar esta prática como aceite. Contudo temos que olhar para o outro lado humano: estes seres, nesta fisionomia também eram rejeitados e maltratados por um conjunto de pessoas que os achavam algo de inferior. Desta maneira, muitos destes clones, foram alvo de violência e exclusão, muitos perderam a vida devido à euforia de indivíduos extremistas. Parte da mensagem que o filme nos quer transmitir, já que ao longo do mesmo há um medo notoriamente descrito pelos pais, de o seu filho, Adam, ser dado como a sua verdadeira identidade, e consequentemente que seja alvo deste tratamento.
Nestas condições a clonagem, sem dúvida alguma, não poderia ser dada como algo virtuoso, já que haveria seres, tal e qual como nós, com os mais diversos sentimentos, emoções, memória, entre outros, que iriam estar constantemente a ser alvo de atrocidades e maus tratos… Muitos sofreriam sem causa justificável alguma…
Outro inconveniente, pode perfeitamente passar no sentido de que os indivíduos que criaram um ser genética e fisicamente iguais a si nesta sociedade, não suportem ao fim de x anos alguém que possivelmente até nos gostos e crenças eram idênticas a si mesmo. Iriam então surgir sem dúvida alguma, maus tratos em massa… Os abandonos começariam a ser algo normal neste grupo. Os clones passaram a ser brinquedos…Será tal situação eticamente correcta?
Centrando-nos mais objectivamente no caso que nos é apresentado no filme, podemos observar consequências tais e quais como as apresentadas anteriormente, porventura mais questões se podem levantar, respectivamente no foro genético. Imagine-se então, que na nossa experiência mental, na sociedade idealizada, que é possível criar um clone a partir do ADN das células de dois indivíduos que já morreram e que durante a vida deste mesmo clone, este irá reviver e demonstrar os actos e vivências que anteriormente os seus “progenitores” viveram. Tal como já foi referido anteriormente, sem dúvida que a ressuscitação parcial de dois indivíduos iria trazer sem dúvida, uma alegria e bem-estar para as pessoa que o rodeiam, mas também os ditos problemas viriam. Contudo a base do maior problema consistiria nas recordações que este teria da vida anterior: o mal que este cometera, irá fazê-lo igualmente nesta vida, e desta forma, se por exemplo, tal matou uma pessoa na vida anterior, igualmente irá matar nesta nova realidade. Mesmo que seja agora de uma forma inconsciente, matar alguém, seja de que ponto de vista for, é altamente incorrecto. Igualmente porque não pensar, num doutor maluco, o “Doutor X”, que iria recriar figuras do mal, antepassados que mataram milhões e milhões de pessoas e que quase destruíram o mundo. Basta olhar e repensar o que seria Adolf Hitler nesta nova concepção. Em suma indubitavelmente temos a certeza que a recriação do mal, nunca traria um bem geral para a comunidade.
Olhemos por último, para o caso dos animais em vias de extinção, ou mesmo extintos, que puderam voltar à vida. Sem dúvida alguma seria bom reviver ou recuperar algumas espécies, contudo temos que referenciar o factor natureza e ecossistema global. Tudo o que acontece na natureza em nada é por acaso e muitas das extinções ocorrentes, quer a nível natural como por causa humana, foi para restabelecer um sistema em homeostasia. A recuperação destas espécies poderia vir a alterar de forma séria o sistema natural, podendo mesmo levar à sua ruptura. Também podemos pensar novamente no caso do “Doutor X”, em que este deliberadamente decide recria um animal com uma forma de pensar e racionalização superior à nossa, meio animal, meio humano… Possivelmente poderíamos vir a ser dominados por tal organismo…
Concluindo, tudo que escrevi, não passa de uma possível suposição feita na minha mente, do que poderá acontecer se abrirmos a tal dita caixa de Pandora. Tudo ou nada poderá vir a acontecer… A surpresa espera-nos dentro do ovo…

Henrique Aidos nº17 12ºB